Chegamos um dia antes da partida e quando estávamos fazendo o check-in no hotel o time voltou do treino. Aproveitamos e ficamos lá embaixo conversando com Carlinhos, auxiliar de Paulo Campos na época, depois jantamos junto com o elenco e ficamos assistindo ao debate presidencial no hall do hotel.
Noite fria em São Paulo, tudo calmo e fomos dormir. No dia seguinte, a mesma tranqüilidade de sempre no hotel, almoçamos junto com a delegação e depois ficamos em um excelente bate papo: Eu, Leopoldo, Paulo Pontes, Berillo (Advogado do clube), Marcilio Sales, Ricardo Valois, Sergio Manoel e Paulo Campos.
Era começo da noite quando entramos no ônibus e ficamos esperando os atletas. A hierarquia manda que diretores e comissão técnica fiquem na frente do ônibus enquanto os atletas ficam lá atrás, na boa e velha bagunça. Daqui a pouco entra Batata e fala “meu, vocês viram que dois aviões bateram, o jatinho pousou e o Boeing da Gol está desaparecido?”
Como é a historia Batata? Dois aviões batem no ar, o pequeno pousa e o grande cai? Tas ficando doido.... Esse era o pensamento geral, algumas piadinhas e partimos rumo ao Canindé. Chegando lá, vestiário pequeno e aquela velha garoa Paulistana, fomos para o gramado dar uma espiadinha no público que era o de sempre, 500 pessoas.
Voltamos para o vestiário e ficamos em uma sala reservada esperando a oração final dos jogadores/comissão técnica para subirmos ao camarote que nos foi reservado pela Portuguesa. Nesse momento Paulo Campos chama o presidente para puxar a oração e convoca todos (que estavam na outra sala) para participar também.
Todos de joelhos, Valois meio envergonhado fala umas coisas, ai vem o capitão Batata e literalmente “bota pra fuder” no discurso, ele conseguia inflamar a todos, depois veio Paulo Campos para finalizar a reza e... UM POR TODOS???? TODOS POR UM?? NÁUTICO! NÁUTICO! NÁUTICO! VITÓRIA!
Saímos do vestiário em transe e emocionados com o que tínhamos acabado presenciar, com a certeza de que o líder ia vencer o lanterna, mesmo jogando fora de casa. Eu me lembro como se fosse hoje as palavras de Valois para mim “Puta que pariu, hoje vamos golear esta porra!”. O que aconteceu depois?
Na minha opinião o pior jogo do Náutico na Série B em 2006. Não jogamos nada, a Portuguesa pedindo pra apanhar e a gente se perguntando como era possível o time jogar tão apático depois do que presenciamos no vestiário, era inexplicável.
Para completar, o camarote era no meio das cadeiras da Portuguesa e sem segurança. Na hora que acabou o jogo fomos descer e , acreditem se quiser, o único portão de saída estava com cadeado, ou seja, todas as pessoas ficaram presas, incluindo o Presidente da Portuguesa... coisa dos meus conterrâneos mesmo né?
Quando conseguimos sair da área das cadeiras, eu tava ao lado de Batista (Preparador de goleiros) andando pelo estacionamento do clube para chegar no vestiário quando vem um troglodita da Leões da Fabulosa e começa o xingamento de sempre.. “Paraíba” , ai Batista começou a revidar, pra que? Começamos a correr, o cara querendo brigar, empurrões para todos os lados e finalmente chegamos no vestiário ilesos e incrédulos com o resultado.
Foi uma viagem para ser esquecida e desde esse dia não acredito mais em nada que me dizem dos bastidores de vestiário.

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